Na Remada 2015

Segue abaixo o relato do nosso grande amigo Sander Schwerdt, sobre a sua primeira experiência em águas brancas utilizando um duck.

Dados do Evento

  • Encontro recreativo de remadores de águas brancas
  • Terceira edição, 19 e 20 de setembro
  • Local de acampamento e centralização das atividades: Parque das Laranjeiras, RS, BR
  • Lat: 29 graus, 24 minutos 56,66 segundos, Sul
  • Long: 50 graus, 46 minutos, 11,31 segundos, O
  • Alt: 164 metros

IMG_2839Cheguei às 8h 30min no parque, estava ocorrendo uma competição de dowhil. Tinha barracas pra todo lado e muita gente enlameada. Muitos remadores paramentados e outros à paisana circulavam.

De cara fui super bem recebido por uma turma de Charqueadas que estava acampando. Me ofereceram cachaça e chimarrão, e indicaram o caminho para o rio. Após descer as escadarias dei de cara com o Tinhoso e, sem exagero, afrouxei as pernas. Fiz um vídeo de cima da ponte enquanto conversava com um remador experiente, que me assegurou que a descida seria barbada.

Tinha uma turma aquecendo no primeiro degrau da escadaria. Feras os caras. Esta parte do rio é chamada assim por ser a pista de competições e parece mesmo uma escada.

Tinha caminhão e ônibus para os barcos e remadores o tempo todo. levavam até a Represa do Laranjal, onde se inicia a descida. Achei melhor não me atirar logo de cara. Na verdade já não tinha mais certeza se iria encarar. Subi pra falar com o Sena, que estava negociando vários equipamentos. Não comprei nada, pois não conseguia me concentrar. Até experimentei colete e capacete, e olhei uns remos. Mas aquela bosta de rio não saía da cabeça, tava louco pra desistir.

Encontrei com o Rogério e o Fernando, de Torres. Só havia falado com eles uma vez, na Remada de Inverno, mas senti grande alegria em encontra-los, como se fôssemos amigos de longa data. Logo chegou o Léo com seu entusiasmo habitual e ficamos papeando e andando pelo parque. Conversamos com outros remadores e algumas tratativas de negócios foram iniciadas.

Não almocei, pois tive receio de despejar o rango no rio mais tarde. Horas depois percebi que a decisão foi acertada. Nos paramentamos, batemos fotos, carregamos os barcos no caminhão e fomos para o ônibus. Entrei no busão e pensei: PQP no que me meti! após alguns minutos de solavancos chegamos na represa.

Barragem das Laranjeiras

  • Lat: 29 graus, 23 minutos, 53,04 segundos, S
  • Long: 50 graus, 45 minutos, 26,67 segundos, O

Esperei alguns barcos irem pra água, e entrei logo no rio, pra não ter chance de desistir. O Sena me orientou a seguir um barbudo em um Duck igual ao meu. Depois fiquei sabendo que o FDP é da seleção brasileira de canoagem. Fui atrás do cara. Não deu tempo de me arrepender. O cérebro desliga do resto do mundo. Sei que parece chavão, mas é isso ai mesmo. A primeira perna para antes da ponte. Tem que se aproximar da margem e segurar no que estiver ao alcance, e esperar pra ver o que os outros vão fazer.

Voltamos às corredeiras e, após passar a ponte, meu barco girou e encostou em outro duck, conduzido por um casal. Descemos uns vinte metros de ré, até nos desvencilharmos. Depois de mais uma série de ondas, pulos, refluxos e cagaços, paramos onde o rio se divide em três. Vários barcos ficaram lado a lado à espera dos demais. Ouvimos uma gritaria dizendo: “dá apoio, dá apoio”. Olhei à esquerda e vi o fundo de um barco azul, preso sob meu barco e um creek. Enfiei todo o braço na água e catei a mão do cara conseguindo puxa-lo pra cima. Dá uma puta aflição ver alguém em tal apuro.

Depois capotei a primeira vez, mas consegui levar o barco pra margem. Com auxílio do Sena consegui chegar ao meu remo. Auxílio não é bem o correto. Ele remou meu barco e eu fui de carona. Após sugerir pela quarta vez esvaziar meu barco e pegar carona no inflável de Charqueadas, ele desistiu e me disse para segui-lo.

Fui seguindo o cara até pegar um refluxo pela esquerda e capotar pela segunda vez. Desta vez não perdi nem o remo, nem o barco. Depois de descansar alguns segundos, pulei pra dentro e recuperei um pouco do orgulho. Encerrei minha descida no início da escadaria, achando que já tinha sido o suficiente.

Faltou coragem pra completar o trajeto. Foi uma das experiências mais eletrizante das quais passei. A camaradagem e a preocupação com o próximo é algo quase material. Depois fiquei sabendo que teve barco, remo e remador descendo separados, mas não sei se é real. Encerrei cansado, com as canelas arrebentadas e um remo torto.

IMG_2841TO LOUCO PRA VOLTAR!

Por Sander Schwerdt.